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sábado, 8 de setembro de 2007

NORTADA - MST

Já não é primeira vez que ponho aqui os comentários e volto a dizer não sou grande fã de Miguel Sousa Tavares, mas volto a pôr aqui mais uma crónica dele na bola porque acho que vale a pena lêr. Por três partes da sua crónica.
1ª A sua leitura do jogo FC Porto x Sporting e as posteriores criticas ao árbitro.
2º Pela sua analise à ridicula clubite das galinholas acerca das recentes vitorias portuguesas no mundial de atlétismo.
3º Um PS acerca de Leonor Pinhão.

Só não posso concordar com a critica ao FC Porto em relação ao não adiamento do U Leiria x FC Porto, porque pelo que me informei o U.Leiria teve um comportamento muito pouco profissional perdendo prazos de adiamentos na UEFA, e no fim depois de a porcaria estar feita, tentaram que o FC Porto fizesse alterações ao seu esquema de trabalho.

NORTADA POR MST
Se voltarem a perder o campeonato por um ponto, juro-vos que os
sportinguistas virão dizer que só não foram campeões porque o árbitro
percebeu mal que a intenção de Polga não era atrasar a bola para o
guarda-redes no jogo do Dragão.


Onze dias fora do mundo sabem sempre bem, são até uma necessidade para
quem, por dever de oficio, passa um ano inteiro, dia após dia, a
seguir os sinais do mundo. Uma vez ao ano, pelo menos, eu dedico-me a
esse exercício de limpeza do espírito. Infelizmente, porém, vem
acontecendo ultimamente que, de cada vez que o faço, o meu afastamento
coincide com algum momento decisivo da cena futebolística nacional, no
que às minhas cores diz respeito. Afastar-me e perder um Benfica-FC
Porto ou um FC Porto-Sporting, já vem sendo uma fatalidade que,
todavia, não me faz prescindir do essencial — e o essencial, meus
caros amigos, não é nem há-de ser nunca o futebol.

Desta vez, tudo se acumulou para me isolar do mundo: onde estive, não
chegavam jornais nem televisão de Portugal, a Internet não funcionava
e, para fechar o círculo, até o telemóvel caiu à agua e deixou de
funcionar também. Soube-me pela vida! Lá soube que o FC Porto tinha
ganho ao Sporting por 1-0 e que o Benfica tinha ultrapassado o FC
Copenhaga e conseguido o acesso à Liga dos Campeões. E foi tudo.

Comecei a recuperar o perdido logo com a leitura dos jornais do dia no
avião, e continuei com horas de leitura de dez dias de jornais
atrasados, que me esperavam à chegada. Eis as conclusões resumidas
deste curioso exercício de updating intensivo.

- O FC Porto ganhou ao Sporting aparentemente sem espinhas e apenas
porque jogou mais ou menos mal ou porque fez mais pela vitória do que
o adversário. Das várias opiniões lidas, não consta que o Sporting
alguma vez tenha estado em perigo de poder ganhar o jogo ou sequer
tentar ganhá-lo. A diferença para o jogo da Supertaça é que, desta
vez, não apareceu um pontapé do outro mundo para desmentir a verdade
do ditado que diz que quem não arrisca não petisca. Mas, afinal, os
sportinguistas (nem outra coisa seria de esperar deles na hora da
derrota…) trataram logo de vir explicar que só perderam o jogo por
culpa do árbitro. Este teria interpretado mal a intenção de Polga ao
atrasar a bola para o seu guarda-redes: ele não quis atrasá-la, quis
apenas cortá-la — palavras do próprio Polga. Já há uns meses, também
no Dragão, o Polga não teve intenção de derrubar o Pepe na área, quis
apenas cortar a bola. Foi coincidência que então a bola nem se tenha
mexido, enquanto o Pepe levantou voo, e coincidência que agora a bola
tenha ido direitinha para as mãos do guarda-redes. A grande diferença
é que, se então o árbitro esteve sincronizado com as intenções do
Polga, desta vez não esteve. Mas parece também que, no domingo passado
e frente ao Belenenses, o árbitro já esteve melhor sincronizado com as
intenções sportinguistas. Basta ver como, desta vez, eles se remeteram
ao silêncio sobre a arbitragem. No final, contas feitas e se voltarem
a perder o campeonato por um ponto, juro-vos que eles virão dizer que
só não foram campeões porque o árbitro percebeu mal que a intenção do
Polga não era atrasar a bola para o guarda-redes, no jogo do Dragão.
Vira o disco e toca o mesmo de sempre…

- Quarta-feira, o Benfica comprou mais três sul-americanos e Di Maria
estreou-se, finalmente curado da lesão que trazia e confirmando as
boas referências que lhe fizeram. E, no decisivo jogo de Copenhaga,
conforme reza a crónica de A BOLA, teve a sorte do jogo e a sorte da
arbitragem. E, assim, Camacho fez esquecer Fernando Santos e salvou a
intangibilidade de Luís Filipe Vieira. Porque, se o Benfica tem
falhado a Liga dos Campeões, para algum lado se iria virar a ira dos
adeptos e palpita-me que, desta vez, não seria contra o treinador.

- Francamente, achei de muito mau gosto e muito pouco desportiva a
intransigência do FC Porto ao não ceder ao adiamento do seu jogo
contra o União de Leiria. Para mais, com a paragem do campeonato no
próximo fim-de-semana, não havia argumento razoável que o justificasse
(e, para mais, se o jogo tem sido ontem, eu já o tinha visto…).
Parece-me que a intenção clara foi tirar partido do cansaço do
adversário — e conseguiu-o. São jogadas que não gosto de ver, nem no
meu clube ou, principalmente, no meu clube.

- Em três jornadas, o FC Porto matou três borregos da época passada:
Sp. Braga, Sporting e U. Leiria. Foi um começo de campeonato a 100%,
cuja importância se poderá revelar determinante no futuro. Mas nem
tudo é líquido na equipa de Jesualdo Ferreira. A situação de Postiga,
nem vendido nem aproveitado, é uma das razões de perplexidade. A outra
é, obviamente, a situação dos reforços, de que já aqui falei. Jesualdo
não gosta da palavra reforços e acha que numa equipa campeã ninguém é
comprado para entrar a jogar mas, sim, para ficar em banho-maria, à
espera que algum dos campeões se lesione. É um ponto de vista de
treinador e aceitável, como todos os outros. Diferente é o meu ponto
de vista, o de accionista e sócio pagante. E insisto no meu ponto de
vista, já longamente exposto: se os reforços não fazem falta nem têm,
por si só, categoria para entrar directamente na equipa, para quê a
necessidade de comprar uma dúzia deles todos os anos, fazendo com que
o grande problema da gestão do plantel seja arranjar clubes que os
queiram por empréstimo? Das duas, uma: Jesualdo não tem razão na forma
como não integra novos jogadores com valor na equipa, ou tem razão em
não integrá-los mas, neste caso, deve uma explicação aos sócios sobre
o motivo porque os quis, e logo tantos. É que gastar dinheiro a
comprar jogadores por atacado é fácil. Só que depois vai ser urgente
vender o Quaresma para esconder o défice acumulado a pagar ordenados a
jogadores inúteis e excedentários.

- Desafio alguém a dizer-me quais eram os clubes de Carl Lewis, Jesse
Owens, Juantorama, Abéé Bikila, ou qualquer outra das glórias eternas
do atletismo mundial. Lá fora, de certeza que muitos não esqueceram os
nomes de Carlos Lopes, Fernanda Ribeiro ou Rosa Mota. Quem não
esqueceu, sabe que são atletas portugueses, mas de certeza que ninguém
sabe a que clube pertenciam. O atletismo tem essa vantagem
anti-clubística sobre o futebol. Ou melhor, tinha: porque esta semana,
lendo opiniões de vários leitores de vários jornais, cheguei à
conclusão de que os dois novos campeões mundiais, Vanessa Fernandes e
Nelson Évora, não são de Portugal mas, sim, do Benfica. Pois felicito
o Benfica pelos seus campeões do mundo mas, se não se importam,
considero que eles são campeões de nós todos e não apenas dos
benfiquistas.

PS: Se bem percebi, a minha colega de coluna, Leonor Pinhão, desmente
que tenha tido alguma coisa que ver com a escrita do livro da d.ª
Carolina Salgado ou com a entusiástica ressurreição das investigações
do Apito Dourado, determinadas pela publicação dessa obra literária.
Parece que ela, e citando as suas próprias palavras, nunca se dispôs a
«sujeitar a verdade ao crivo do julgamento popular em função das
paixões clubistas que toldam o raciocínio». Assim, por exemplo, o tão
publicitado filme Corrupção — de que ela é autora do script e o marido
da direcção — não tem nada que ver com um julgamento popular ditado
por paixões clubistas, em que a verdade já está estabelecida
previamente, sem necessidade de contraditório, o julgamento já está
feito e a sentença já está dada. É tudo uma aldrabice.

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